segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Não?

No último domingo, o programa Domingo Espetacular, da Record, veiculou uma reportagem nitidamente tendenciosa referindo-se à prática, por parte de algumas igrejas neopentecostais, do ‘cair no espírito’. Nesse fenômeno a pessoa é supostamente ‘possuída’ pelo Espírito Santo e, decorrente disso, age de forma inusitada, como perder o controle dos movimentos, imitar animais, rodopiar ou rir sem nenhum sentido ou motivação. Não entrarei na discussão da verdade de tal prática, até porque a reportagem já se encarregou de denunciar essa fraude herética, mas no que disseram alguns indivíduos no twitter, afirmando que não se deve falar de religião. Por que não?

Antes que você pense em Jesus e no tão famoso e manipulado versículo bíblico que reza que não devemos julgar, digo que Jesus não foi tolerante com as religiões, mas criticou-as, sobretudo o judaísmo, e fundou uma, ora, o cristianismo (Mt 16, 18). Jesus chamava os fariseus e doutores da lei de víboras. Portanto, Jesus, sim, discutiu religião.

Por que religião tem que ser um tema intocável e livre de críticas? Você pode me dizer que é porque cada um terá sua verdade. E daí? Por qual motivo as verdades não podem se chocar? Ainda mais se as verdades pertencem à uma mesma religião, logo uma das verdades terá que ser a de fato verdadeira.

Religião pode e deve ser discutida, duvidada, criticada, defendida. É nesse processo que opiniões são mudadas, convicções reafirmadas e outras caídas por terra. Mas, claro, isso desde que você saiba o suficiente da sua fé, pois se esta baseia-se apenas em emoções é melhor que você não discuta nada mesmo. Discutir não é sinônimo de desrespeito, mas sinal de sujeição ao aprendizado e à edificação pessoal.

Não costumo defender a Record, nem muito menos a Igreja Capitalista do Reino de Deus, mas por essa reportagem sou levado a confessar os meus sinceros parabéns à Rede Record. Eu concordei, outros discordaram, mas ambos pensamos.

domingo, 6 de novembro de 2011

Verdade - Carlos Drummond

A porta da verdade estava aberta,
mas só deixava passar
meia pessoa de cada vez.

Assim não era possível atingir toda a verdade,
porque a meia pessoa que entrava
só trazia o perfil de meia verdade.
E sua segunda metade
voltava igualmente com meio perfil.
E os meios perfis não coincidiam.

Arrebentaram a porta. Derrubaram a porta.
Chegaram ao lugar luminoso
onde a verdade esplendia seus fogos.
Era dividida em metades
diferentes uma da outra.

Chegou-se a discutir qual a metade mais bela.
Nenhuma das duas era totalmente bela.
E carecia optar. Cada um optou conforme
seu capricho, sua ilusão, sua miopia.

O Seu Santo Nome - Carlos Drummond

Não facilite com a palavra amor.
Não a jogue no espaço, bolha de sabão.
Não se inebrie com o seu engalanado som.
Não a empregue sem razão acima de toda razão (e é raro).
Não brinque, não experimente, não cometa a loucura sem remissão
de espalhar aos quatro ventos do mundo essa palavra
que é toda sigilo e nudez, perfeição e exílio na Terra.
Não a pronuncie.

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Fidelidade histórica

Shakespeare e a Bíblia

“Que obra de arte é o homem: tão nobre no raciocínio; tão vário na capacidade; em forma e movimento, tão preciso e admirável, na ação é como um anjo; no entendimento é como um deus; a beleza do mundo; o exemplo dos animais”

Shakespeare, Hamlet.

“Se ficam fascinados com a beleza dessas coisas, a ponto de tomá-las como deuses, reconheçam o quanto está acima delas o Senhor, pois foi o autor da beleza quem as criou. Se ficam maravilhados com o poder e atividade dessas coisas, pensem então quanto mais poderoso é Aquele que as formou. Sim, porque a grandeza e a beleza das criaturas fazem, por comparação, contemplar o Autor delas”

Sb 13, 3-5.

A liberdade relativizada

Li outro dia um artigo de Roberto Pompeu de Toledo, colunista de Veja, no qual ele criticava de maneira sutil e irônica o multipartidarismo do Brasil, expresso nos mais de 20 partidos existentes. Tal posição comunga, evidentemente, da ideologia e crítica na qual se firma as reportagens da revista sobre o assunto. Eu estendo a ironia de Toledo ao analisar as colocações da revista, e dele, como defensores da democracia e da liberdade. Ora, essa liberdade democrática não se estenderia à livre criação de partidos?

É evidente que, no Brasil, partidos políticos são criados com o único objetivo de atender a interresses eleitorais de coronéis e como forma de reunir posicionamentos convergentes em benefício da classe política organizadora. Outra verdade é que, principalmente após a era Lula, os partidos brasileiros não têm ideologia, sobretudo os de oposição. Oposição? É… Consideremos que ela exista de fato. Mas, e daí?

Eu não posso, mesmo com motivos convincentes, privar a liberdade do outro por julgar que este não a utiliza de maneira correta. A liberdade é uma chuva que cai sobre os bons e sobre os maus. Esse direito é concedido a todos e, por isso, todos podem utilizar da maneira que lhes é conveniente, desde que amparada nas leis estabelecidas que condicionam a utilização do direito. Logo, se eu defendo a liberdade, defendo-a no seu mais amplo sentido, ou cairia no erro de limitar minha defesa ao que acho melhor, aos meus interesses, a mim.

Como combater os maus políticos que fundam os pseudopartidos, então? Nós gozamos de uma ferramenta simples e poderosa para resolver esse e tantos outros problemas que assolam a democracia brasileira: o voto. Só devemos tomar o cuidado de pensar muito bem antes de usar essa faca de dois gumes.

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

A cidade sem freio

“O trabalho não para e não pode parar”. É esta a frase proferida por Amazan nas propagandas publicitárias da prefeitura de Campina Grande. É raro não ver tais propagandas na TV local, mas isso, com certeza, não tem nenhum vínculo com as eleições municipais do ano que vem. Ora, o competentíssimo prefeito-deus não desceria a esse nível de politicagem, igualando-se à esmagadora maioria dos políticos brasileiros. Ele só quer mostrar o que fez. Justo.

Chegam a ser deslumbrantes as obras vistosas que são mostradas em cada propaganda, me fazendo enxergar Campina Grande como um canteiro de obras em pleno desenvolvimento. Na educação, por exemplo, é mostrada a construção de novas creches, o aumento de vagas nas escolas, a distribuição de fardamento aos alunos e o aumento dos salários dos professores. Nota das escolas no IDEB? Resultado obtido no ENEM? Medalhas em olimpíadas científicas? Nível de excelência dos alunos? Grau de capacitação dos professores? Caro leitor, para quê se preocupar com esses mínimos detalhes? Isso é só para aqueles que buscam qualidade…

Outra coisa que não é deixada de lado nas propagandas governamentais: a comparação com o governo anterior aos 8 anos nos quais Campina foi verdadeiramente descoberta. O garoto-propaganda da vez brada com orgulho e sorriso estonteante que antes Campina tinha tanto, hoje tem tanto. Como se não fosse a obrigação do prefeito ter desenvolvido a cidade e feito o que ele é pago por nós para fazer, mas apenas um favor aos campinenses. Esse favor, obviamente, não será cobrado no ano que vem, tendo em vista que o prefeito é ético, competente e dotado de uma oratória digna de Jânio Quadros.

Calem-se as críticas! Vocês não têm esse direito, pois o “trabalho não para e não pode parar”.

Analise comigo o final dessa frase inocente: “e não pode parar”. Como eu posso entender isso? É simples: o governo fez tanto, mas tanto, que esse magnífico trabalho não pode parar e para isso eu tenho que votar no candidato indicado por Veneziano. Será que as pessoas entendem isso? Claro! A prefeitura está gerando mentes pensantes e dotadas de alto senso crítico: construindo novas creches, aumentando o número de vagas nas escolas, distribuindo fardamento… Como eu disse, a qualidade é só um mero detalhe.

Lamento profundamente, Vené, mas há eleitores que veem além dos caracóis dos seus cabelos e que acham que conhecimento não adquire-se com tijolos, vagas nem muito menos fardamento. Por sorte nossa e azar seu, caro prefeito, nós vemos além do vermelho, pois enxergamos Campina em preto e branco.

Enfim, vamos profetizar: qual o slogan da campanha do candidato indicado por Vené ao governo municipal? Eu arrisco um: “Campina não para e não pode parar”.

domingo, 2 de outubro de 2011

A Idade Média Contemporânea

Não é difícil lembrar de um dos principais, sensacionalistas e manipulados papeis da Igreja Católica durante a Idade Média: controladora-mor da moral, dos costumes e comportamentos da sociedade de então. Vê-se isso repetido e aprofundado por Calvino, na Suíça. E hoje?

Vivo em uma sociedade que orgulha-se de ser livre, ou seja, de ter a liberdade de ser o que quiser. Mas, até onde vai essa liberdade? O que vejo é apenas uma inversão de papéis: antes era a Igreja a controladora, hoje a coisa está mais plural. Posso ser controlado por quem eu quiser! Livrei-me do moralismo da Igreja!

Se antes era um escândalo usar roupas sensuais e definidoras do corpo, hoje a sociedade capitalista me diz até em que loja eu tenho que comprar e quais etiquetas devo ostentar para ser aceito por esse ou aquele grupo. Calvino entregava seus inimigos para arderem no fogo da Inquisição católica, hoje eu entrego meus colegas para o chefe ou, para ser mais brasileiro, uso meios mais corporativistas e burocráticos para prejudicá-lo. Se antes eu era preso à terra, hoje sou ao dinheiro. Se antes era submissão ou espada, hoje é diplomacia ou bomba nuclear. Se antes era o padre voltado para o altar de Cristo na Missa, hoje ele está voltado pra mim. Antes eu escutava, na Igreja, canto gregoriano (tão invejado por Mozart…), hoje eu ouço rock.

E as guerras santas de outrora? Só mudaram de religião.

Eu não preciso pagar banalidades, corvéia, capitação… Hoje eu só pago uma das maiores taxas de juros do mundo! Insatisfação? Não, até porque as macas dos corredores hospitalares são muito confortáveis. Abandonei o Deus cristão, pois hoje eu posso ter vários: o dinheiro, os astros, o vento, a razão, o sexo, meu umbigo, etc. Eu experimentei uma igualdade apenas submissa ao meu senhor: feudalismo. Hoje, intelectual que sou, prefiro a mesma igualdade, só que submissa ao Estado: socialismo. 

Não quero mais que a Igreja Católica me controle, pois tenho outras formas mais legais de controle: a Igreja Universal do Reino de Deus, as saias da Assembleia de Deus, a predestinação da Presbiteriana, a sociedade, o PT, a Colcci, a Santa e Imaculada Razão (toda glória a ela!), o socialismo calçado em nike ou adidas, etc, etc, etc. São tantas opções…

Se você leu isso aí em cima, cá pra nós, não espalhe, pois o século XXI tem ciúmes. Mas pode relaxar, ele não tem preconceito, é só você ser moderno, mente aberta, descolado, fazer muito sexo o mais cedo possível, cultuar Lula (que é bendito para sempre, amém) e ter uma fé bem lúcida, bem adequada aos seus interesses. Sim! Já ia me esquecendo: lembre de pegar da Bíblia o que serve e de amar ao próximo como a você mesmo. 

PS: Viva às conquistas deste século! Mas é legal perceber certas coisas…

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Soneto de separação - Vinicius de Moraes

De repente do riso fez-se o pranto
Silencioso e branco como a bruma
E das bocas unidas fez-se a espuma
E das mãos espalmadas fez-se o espanto

De repente da calma fez-se o vento
Que dos olhos desfez a última chama
E da paixão fez-se o pressentimento
E do momento imóvel fez-se o drama

De repente não mais que de repente
Fez-se de triste o que se fez amante
E de sozinho o que se fez contente

Fez-se do amigo próximo, distante
Fez-se da vida uma aventura errante
De repente, não mais que de repente

Amar - Drummond

Que pode uma criatura senão,
entre criaturas, amar?
amar e esquecer, amar e malamar,
amar, desamar, amar?
sempre, e até de olhos vidrados, amar?
Que pode, pergunto, o ser amoroso,
sozinho, em rotação universal, senão
rodar também, e amar?
amar o que o mar traz à praia,
o que ele sepulta, e o que, na brisa marinha,
é sal, ou precisão de amor, ou simples ânsia?
Amar solenemente as palmas do deserto,
o que é entrega ou adoração expectante,
e amar o inóspito, o áspero,
um vaso sem flor, um chão de ferro,
e o peito inerte, e a rua vista em sonho,
e uma ave de rapina.
Este o nosso destino: amor sem conta,
distribuído pelas coisas pérfidas ou nulas,
doação ilimitada a uma completa ingratidão,
e na concha vazia do amor à procura medrosa,
paciente, de mais e mais amor.
Amar a nossa falta mesma de amor,
e na secura nossa, amar a água implícita,
e o beijo tácito, e a sede infinita.

domingo, 25 de setembro de 2011

Música?

Peço licença aos forrozeiros para falar, não daquele nostálgico forró pé-de-serra, mas desse forrozinho alienador que arrebata os jovens aos goles delirantes. Não citarei nenhuma letra desse forró-pop, pois não posso baixar o nível com palavras de baixo calão. Também não posso desrespeitar as mulheres, estas que lutaram tanto pelos seus direitos em relação ao homem e podem, hoje, comemorar ao som do forró-estilo. Definições à parte, esse forró-teclado é música?

Não. Esse forró, se é que eu posso chamá-lo assim, não passa de grunhidos e espasmos acompanhados de uma letra que beira a pornografia escrachada e insanamente proferida pela multidão culta e cristã que assiste. Luís Gonzaga, onde você está? Dominguinhos, não te encontro.

Procurei as rainhas, mas me entregaram simples garotas. Procurei as robustas naves espaciais, mas só achei aviões aos pedaços.

Devo ser anormal por não escutar os arranjos magníficos desse forró. Conservador, por não me deixar levar pelas letras modernas e minunciosamente construídas. Retrógrado, por querer sanfonas, ao invés de guitarras; triângulos, ao invés de teclados; zabumbas, ao invés de baterias. Devo ser isso mesmo. Queira Deus que eu não seja culturalmente hostilizado, em minha arrogância nordestina, pelos intelectuais forrozeiros contemporâneos.

Dominguinhos? É você? Elba? Não. Tenho que perder as esperanças…

Quem sabe você um dia pare de rodar o copo na cabeça e, depois da ressaca, descubra o segredo que eu tenho cá guardado no peito. Um dia você descobrirá o que é musica…

Instante

És velocidade quando eu quero altura
Você corre muito, eu quero apenas pular
e te dar esse instante de vendo
Quero um lamento
Quero, sim, conhecer o tempo
que separa meus pés do chão

Nessa rapidez vais embora
e nessa hora assobio em chamado
Grito em gemidos ásperos e secos
um bocejo
do sono da saudade

Nisso, pulo novamente
lembrando da rapidez da gente
pulando no vácuo da tristeza
Ar de beleza
Atmosfera nossa.







Escolha

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segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Oração do anjo - Ceumar

Oração ao tempo – Maria Bethânia

Contrastes de olhar! - Miguel Segundo


E aquele olho
meio claro, meio escuro,
que na sombra do minuto
se perde sem pensar.
Delicadas malvadezas
que pelo reflexo
quase faz chorar,
a bubina rebubina
na canção de Capitu
com seu olho quase nu
refresca meu desejo de amar.

Hoje na sombra, no refúgio
a cabeça me faz pensar,
já não vale tantas mãos
e tantos pés
se a clara evidência
de seus passos
já não posso enxergar.

Pássaro,
que nessas horas voa longe
sente a presença de viver,
cantar e andar não vale mais nada
agora o que vale é voar
para os braços da figueira,
e que lá seja feliz
fincando suas garras num toco oco.
- O que restou do seu sonho?
- Nada não, foi em vão.

domingo, 18 de setembro de 2011

Charge – Duke

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Ideologia: ame-a ou deixe-a

Ideologia consiste na sua visão de mundo, na sua escolha de como vê-lo e como construir opiniões sobre seus acontecimentos e polêmicas. Ideologia política já define-se pelo nome. Desde os tempos imperiais que, no Brasil, o que vale e interessa são os próprios interesses, e não uma ideologia formada. Aqui não há políticos, mas coronéis. Dito isso, por que ter uma ideologia?

Seja no que for, é essencial que você tenha uma opinião, para que não deixe-se levar pelos ventos de outras. Ideologias permitem-lhe debater de igual para igual, em uma discussão na qual, mesmo que você não tenha opinião formada, irás com base, com alicerce firmado. Para ter uma ideologia, porém, você precisa decidir-se por tê-la.

É necessário buscar a sua posição sobre o mundo e o que nele existe a partir das que estão postas. Devo buscar nelas a que eu me identifico e acho que é a que encaixa-se, fazendo dela uma verdade para mim mesmo. Uma verdade para mim, ou seja, que deve ser exposta para os outros e não imposta aos mesmos.

Quem não tem ideologia é conquistado e sempre convencido. Quem tem é confrontado e convence.

Quem tem ideologia política não vota no candidato, mas nas posições que ele assume em relação ao país. Quem não tem vota no sorriso dele e na sua simpatia para com os eleitores, isto é, alienação que acomoda e castra o pensamento.

Portanto pense, reflita, decida.

sábado, 17 de setembro de 2011

Desista de desistir

É comum encontrar pessoas que, em situações nas quais algo parece pouco provável de acontecer, desistir ou lamentar-se todo o tempo num remorso do passado e na acomodação da impossibilidade de um almejado futuro. Elas lamentam-se por não poder fazer aquilo, sendo que esse lamento já é uma acomodação.

Chega a ser pura burrice desistir sem tentar, pois isso já é uma antecipação da derrota, do fracasso. É como se a impossibilidade provocasse o sentimento de impotência, porém isso mascara uma capacidade que sempre vai estar lá. Nesse contexto, o pecado maior resume-se a uma palavra: acomodação.

Ela faz com que você, ao invés de lutar, conforme-se com uma derrota que nem aconteceu e pode muito bem ser revertida. Até porque não aconteceu! Ao invés de ater-se a um futuro definitivo, invista num presente promissor, construa o objetivo no cotidiano. Não sente no futuro com a bunda de passado, mas ande com pés de presente focando com olhos de futuro.

Não foi do jeito que poderia ter sido? E daí?! Não foi, mas ainda pode ser. Não importa se faltam só 20 minutos para que o despertador toque, pois ainda dá tempo de acordar! É melhor que o esforço seja dobrado, em 20 minutos, do que voltar a dormir e ouvir o despertador tocando e dizendo que, agora, não dá mais tempo.

Tempo se passa, mas também constrói-se.

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Felicidade! A qualquer custo?

É comum escutar as pessoas bradarem que são a favor da felicidade. Que tudo pode se é pra ser feliz. Escutei ontem. Hoje, novamente. Não há regras, leis, moral nem proibições, tudo em nome de ser feliz. É essa a escravidão de muitos.

Os traficantes reinam nas favelas. Ops! Comunidades, desculpe, pois esqueci que no Brasil tem-se que ser politicamente correto, como os políticos nos ensinam exemplarmente. Os ladrões divertem-se e são felizes às custas do que outras pessoas lutaram pra conseguir e que perderam. Criticar? Não, já que foi pra fazer muitas pessoas felizes.

É injusto querer criticar o homossexualismo. Eita! Homoafetividade, melhor dizendo. Eles estão felizes! Os que discordam de tal prática devem ficar calados e amordaçados, pois a felicidade alheia não deve ser incomodada.

O que falar, para os cristãos, do pecado? O que é pecado? Isso não existe, seus fundamentalistas! O que vale mesmo a pena é a minha felicidade, mesmo que esta vá de encontro ao que Deus disse que era certo e digno de um seguidor Seu.

Isso são exemplos de felicidade a qualquer custo, que fará você feliz em momentos, estes que precisarão ser alimentados sempre mais para que a felicidade seja sentida novamente. É preciso sempre estar voltando ao pote cuja água não sacia. Escravidão. É acomodar-se na insubmissão a qualquer coisa, haja vista que é preciso esforço para cumprir leis. Se você é assim, lamento. Se você é assim e é cristão, lamento mais profundamente. A anarquia das suas ações reflete-se num liberalismo exacerbado, que relativiza tudo e tenta forjar uma ‘Belle Époque’ emocional.

“Todas as coisas me são lícitas, mas nem todas as coisas convêm; todas as coisas me são lícitas, mas nem todas as coisas edificam”, 1Cor 10, 23. Independentemente da sua crença, pense nisso.

“Ordem e Progresso”, literalmente

Em Julho o Japão sofreu com um dos maiores tremores da sua história: um terremoto com mais de 7 pontos de magnitude. A costa leste do país foi engolida pelo tsunami que seguiu-se ao tremor e a destruição pôde ser observada nas imagens veiculadas pela mídia. Leia-se destruição, não caos. Por quê?

Se tivesse ocorrido a mesma coisa no Brasil, Deus! Não teria sobrado pedra sobre pedra. Os brasileiros teriam aumentado a própria magnitude do terremoto, pois constituem um povo muito civilizado e com senso de coletividade. Seria um caos verdadeiro, no mais amplo e fiel sentido da palavra. O corre-corre instalaria-se antes e depois do acontecido, as lojas e afins seriam saqueadas, os políticos iriam aproveitar para desviar dinheiro de ajuda humanitária, a mídia iria colocar toda a culpa no governo, o trânsito beiraria o desespero e nem as escolas teriam estrutura física para alojar adequadamente os desabrigados.

O que é isso? É “Brasil! Meu Brasil brasileiro/Meu mulato izoneiro/Vou cantar-te nos meus versos”. Isso se ninguém pisotear-me, claro.

No Japão, entretanto, houve ordem durante todo o processo: sem correrias, sem desespero. Nos dias que se seguiram ao fato, os japoneses demostravam sobriedade e cautela diante de toda a destruição sentida. Não houve baderna, saques, mas filas perfeitamente organizadas nos estabelecimentos comerciais, tal organização que repetiu-se nos alojamentos. Como de costume, os garis continuaram a apanhar o ínfimo lixo das ruas com uma espécie de ‘pegador’.

Observando isso, então, vê-se a diferença entre quem tem “Ordem e Progresso” na bandeira, e quem os possui tatuados no comportamento.

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Budismo moderno – Augusto dos Anjos

Tome, Dr., esta tesoura, e... corte
Minha singularíssima pessoa.
Que importa a mim que a bicharia roa
Todo o meu coração, depois da morte?!

Ah! Um urubu pousou na minha sorte!
Também, das diatomáceas da lagoa
A criptógama cápsula se esbroa
Ao contato de bronca destra forte!

Dissolva-se, portanto, minha vida
Igualmente a uma célula caída
Na aberração de um óvulo infecundo;

Mas o agregado abstrato das saudades
Fique batendo nas perpétuas grades
Do último verso que eu fizer no mundo!

domingo, 11 de setembro de 2011

Charge – Bruno Aziz

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Eu posso?

A Sebastian Film – Terror sem Limites, filme do sérvio Srdjan Spasojevic, foi censurado e até proibido em alguns países, como Inglaterra e Noruega, por conter cenas de estupro, pedofilia e violência. Ele mostra a história de um ator pornô em decadência econômica, mas quem tem o direito de proibi-lo até para maiores de 18 anos?

O Estado tem o dever de cumprir a lei de classificação etária de filmes conforme a constituição de cada um, porém não lhe cabe dizer se é certo ou errado para pessoas que já são maiores. Estas podem assistir ao que quiserem, seja comédia romântica ou filmes que mostrem a realidade como ela é e ultrapassem o objetivo do entretenimento, buscando a exposição das mazelas mundiais. O filme de Spasojevic cumpre muito bem esse papel.

Por trás dessas proibições há um ridículo e utópico desejo de estabelecer uma dominação do que é politicamente correto. A violência não é politicamente correta! O estupro tambem não! É abominável querer dar cor-de-rosa a tais realidades ou mascará-las à sociedade.

Mesmo que as cenas sejam chocantes, como afirmam as autoridades que as proibiram e censuraram, por que não exibí-las a uma população adulta e pagante de seus impostos? As autoridades não podem fazer isso. Quem não quiser chocar-se, não irá, mas eu não posso dizer a todos que eles não podem se chocar. Até porque eu não preciso de um filme para assustar-me com o colorido da maquiagem desse mundo.

É preciso, portanto, que a sociedade não se acomode diante de tal abuso e exija os direitos que lhe competem, como o de assistir a um filme. Os governos devem agir com maturidade e equilíbrio, sem impor-nos uma proteção que nos amordaça e nos tampa os olhos.

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Independência e/ou morte!?

Hoje acordei-me emocionado e contagiado pelas glórias e conquistas deste dia: independência do Brasil. Viva! Foi num 7 de setembro que o então príncipe D. Pedro rompeu politicamente com Portugal e tornou-se o imperador D. Pedro I. Permanecemos agroexportadores, escravistas, com um imperador estrangeiro, mas pra quê lembrar disso? Independência! Ainda estou tomado por esse sentimento.

Foi uma honra ver a presidente Dilma Rousseff assistir ao desfile da independência em Brasília, mesmo sabendo que ela é dependente das chantagens do PT, do PMDB, de ministros corruptos, de uma base aliada coronelística preocupada exclusivamente com seus interesses, de uma “América para os americanos”, enfim, ela deveria estar também emocionada com tanta independência.

Outra honra maior foi contemplar os protestos organizados por sindicalistas e as bandeiras vermelhas tremulando em meio ao povo aguerrido e sedento de direitos: o povo brasileiro! Não há maior independência do que líderes sindicais abocanharem-se por uma verbinha governamental. Lula os viciou, tornou-os independentes. É, certamente, um dia mais do que justo para que eles comemorem.

É uma pena que o amanhã chegará e eu já terei esquecido desta bela data. Entretanto, não quero esquecer-me das pessoas honradas e dignas que me representam e lutam pelos meus direitos. Direitos de brasileiro… Mas enquanto estamos no hoje, comemoremos! Viva a independência! Viva ao PT! Viva a esquerda sindical!

O amanhã chegou. Esqueci os vivas. Me acomodei novamente. Sou brasileiro.

terça-feira, 6 de setembro de 2011

Experiência alheia serve

Desde sempre a experiência é valorizada como sinônimo de sabedoria nas sociedades, numas mais que em outras. Passar por dificuldades na vida, errar, torna as pessoas mais maduras e capazes de dar valor ao que realmente vale a pena, no propósito de não repetir erros de outrora. Disso ninguém duvida. Entretanto, a experiência do outro pode servir para a minha vida, ou seja, não preciso errar como outrem para saber como é ou aprender a fazer diferente.

Eu não preciso embebedar-me e sofrer um acidente no trânsito para aprender a não fazê-lo. Experiência. Não preciso trair para saber que a confiança não será mais a mesma. Experiência. Não preciso errar para saber que aquilo é um erro. Você certamente cairá algumas vezes, mas não é preciso tropeçar a cada metro para saber firmar os pés e focar os olhos.

É muito fácil colocar a culpa da minha incompetência numa falsa busca por experiência. É bom ter um consolo para a minha acomodação. Será tudo um paraíso até eu perceber que o que verdadeiramente vale a pena sempre vem acompanhado de esforço. Capacidade eu e você temos, mas a excelência de um de nós será provada no mérito da renuncia para que a vitória seja alcançada. A vida é assim.

É necessário e fundamental que aprendamos com a experiência alheia, para que, somando-a com a nossa, possamos cair menos e, quando isso for inevitável, ter forças para levantar e sabedoria para esperar os ferimentos cicatrizarem.

PS: Se você tem fé, “confie em Deus como se tudo dependesse dEle e trabalhe como se tudo dependesse de você”.

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Gita – Maria Bethânia (intérprete)

Fé é decisão

PS: faça de conta que esta postagem é de ontem.

Hoje você não é obrigado a seguir nenhuma religião ou doutrina, mesmo que, tratando-se de Brasil, muitos sejam católicos apenas porque os pais o são. Ter fé ou não partirá de uma decisão sua de tê-la, pois é uma decisão tambem sua acreditar em Deus ou não. Dito isso, já que não somos forçados a nada, temos como dever a autenticidade naquilo que escolhemos.

A nossa escolha precisa ser sinônimo de convicção, ou seja, ser aquilo que acreditamos por inteiro, por completo, sem meio termo nem desvios pelas beiradas. Se você decidiu ser católico, seja verdadeiramente um católico. Como? Conhecendo e seguindo a doutrina da Igreja. É ridículo um católico acreditar em reencarnação, interpretar a Bíblia do seu jeito, ter Maria como uma mulher qualquer, apoiar o aborto ou ver o homossexualismo como algo normal e aceitável pela moral cristã.

Se sua escolha foi por ser espírita, siga e leia Alan Kardec. É impossível um espírita ter Jesus como Deus, pois o espiritismo vê-Lo como um espírito evoluído, de luz. Só. Na mesma linha não tenha imagens em casa, se você escolheu o protestantismo.

És ateu? Pois bem. Um ateu não acredita na existência de um Deus, logo é falsa uma possível espiritualidade daquele, visto que esta sempre considera um ser maior. Exalte a razão sobre todas as coisas e dependa somente de você, assim serás verdadeiramente ateu.

E assim é para todas as escolhas. Budista, esotérico, macumbeiro e outras mais. Seja o que quiser, mas seja! Siga a sua escolha dignamente, pois ela será sua ideologia, sua forma de ver o mundo. Seja todo naquilo que quiser, ou serás nada em tudo.

Apresentação

O objetivo deste blog é mostrar a minha humilde opinião sobre as mais variadas coisas, desde um simples acontecimento do cotidiano a uma notícia internacional. O importante aqui não é que você concorde comigo, daí o título, mas que pense sempre em todas as postagens e a partir destas forme a sua opinião e/ou convicções a respeito dos diversos assuntos que serão abordados. Não esqueça: comente!

Agenda de postagens:

  • Segunda: uma poesia, um vídeo, uma música, uma citação, uma pintura, uma charge, etc;
  • Terça: um artigo de opinião;
  • Quarta: uma crônica;
  • Quinta: um artigo de opinião;
  • Sexta: um poema de Miguel Segundo, estudante do 3º ano no Colégio Motiva;
  • Sábado: nao garanto postar neste dia, mas se assim fizer será conforme a segunda;
  • Domingo: um texto religioso e/ou de reflexão.

Há algumas coisas, dentre várias, de mim que vão influenciar sempre as minhas opiniões: sou católico apostólico romano um tanto tradicionalista e minha posição política é de centro-direita. Mas relaxe, isso é só um detalhe.

Se você perceber alguma ironia por aqui, não é mera coincidência.

Espero que goste e boa leitura!