No último domingo, o programa Domingo Espetacular, da Record, veiculou uma reportagem nitidamente tendenciosa referindo-se à prática, por parte de algumas igrejas neopentecostais, do ‘cair no espírito’. Nesse fenômeno a pessoa é supostamente ‘possuída’ pelo Espírito Santo e, decorrente disso, age de forma inusitada, como perder o controle dos movimentos, imitar animais, rodopiar ou rir sem nenhum sentido ou motivação. Não entrarei na discussão da verdade de tal prática, até porque a reportagem já se encarregou de denunciar essa fraude herética, mas no que disseram alguns indivíduos no twitter, afirmando que não se deve falar de religião. Por que não?
Antes que você pense em Jesus e no tão famoso e manipulado versículo bíblico que reza que não devemos julgar, digo que Jesus não foi tolerante com as religiões, mas criticou-as, sobretudo o judaísmo, e fundou uma, ora, o cristianismo (Mt 16, 18). Jesus chamava os fariseus e doutores da lei de víboras. Portanto, Jesus, sim, discutiu religião.
Por que religião tem que ser um tema intocável e livre de críticas? Você pode me dizer que é porque cada um terá sua verdade. E daí? Por qual motivo as verdades não podem se chocar? Ainda mais se as verdades pertencem à uma mesma religião, logo uma das verdades terá que ser a de fato verdadeira.
Religião pode e deve ser discutida, duvidada, criticada, defendida. É nesse processo que opiniões são mudadas, convicções reafirmadas e outras caídas por terra. Mas, claro, isso desde que você saiba o suficiente da sua fé, pois se esta baseia-se apenas em emoções é melhor que você não discuta nada mesmo. Discutir não é sinônimo de desrespeito, mas sinal de sujeição ao aprendizado e à edificação pessoal.
Não costumo defender a Record, nem muito menos a Igreja Capitalista do Reino de Deus, mas por essa reportagem sou levado a confessar os meus sinceros parabéns à Rede Record. Eu concordei, outros discordaram, mas ambos pensamos.
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