Eu não poderia deixar passar em branco a visita que a presidente Dilma Rousseff está fazendo à Cuba, com todas as declarações desconversantes que eram praxe do seu antecessor e que ela, pelo visto, herdou. Deixarei de lado os acordos e incentivos econômicos, pois é perfeitamente plausível o Brasil, enquanto país independente que é, tecer alianças econômicas com outros países. Opinarei sobre as questões ideológicas.
"Quem atira a primeira pedra tem telhado de vidro. Nós no Brasil temos o nosso. Então eu concordo em falar de direitos humanos dentro de uma perspectiva multilateral", disse Dilma quando perguntada sobre os direitos humanos tão absurdamente violados em Cuba. Com essa declaração, Dilma mais uma vez sai pela tangente e deixa os brasileiros sem uma resposta aceitável sobre o tema, generalizando-o. Ela coloca a ilha como uma vítima e expande um problema que é deles para todo o mundo, como se no planeta inteiro se praticasse o socialismo nostálgico e a oposição fosse perseguida e presa.
Enquanto sorri para as fotos, a presidente silencia diante dos presos políticos que fazem greve de fome contra o regime dos Castro. Enquanto os cidadãos que não compartilham com as utopias da esquerda esperam algo palpável e significativo, a presidente castra a esperança de uma mudança de posicionamento em relação aos crimes praticados pelo regime cubano. O silêncio como resposta é o que obtemos do governo brasileiro uma vez mais.
A presidente Dilma tem surpreendido a todos com as ações contra a corrupção implementadas energicamente em seu governo, mas deixou a desejar quando se escondeu dos microfones atrás dos monumentos de Chê e dos uniformes militares dos Castro. Ela fugiu do pragmatismo, correndo para abraçar a medicina preventiva do país. Ela correu dos brasileiros para entrar nas casas estatais do país.
É, presidente… Mas continuamos aqui: sabendo que a medicina de Cuba não vai além da prevenção, sendo sucateada quando as pessoas precisam de algo especializado quando já estão doentes; sabendo dos assassinatos empreendidos por Chê e Fidel Castro; sabendo que os cubanos anseiam pela propriedade privada.
Nós sabemos de tudo e a senhora, como Lula, pensa que não sabemos de nada.