terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Uma visita, uma serva

Eu não poderia deixar passar em branco a visita que a presidente Dilma Rousseff está fazendo à Cuba, com todas as declarações desconversantes que eram praxe do seu antecessor e que ela, pelo visto, herdou. Deixarei de lado os acordos e incentivos econômicos, pois é perfeitamente plausível o Brasil, enquanto país independente que é, tecer alianças econômicas com outros países. Opinarei sobre as questões ideológicas.

"Quem atira a primeira pedra tem telhado de vidro. Nós no Brasil temos o nosso. Então eu concordo em falar de direitos humanos dentro de uma perspectiva multilateral", disse Dilma quando perguntada sobre os direitos humanos tão absurdamente violados em Cuba. Com essa declaração, Dilma mais uma vez sai pela tangente e deixa os brasileiros sem uma resposta aceitável sobre o tema, generalizando-o. Ela coloca a ilha como uma vítima e expande um problema que é deles para todo o mundo, como se no planeta inteiro se praticasse o socialismo nostálgico e a oposição fosse perseguida e presa.

Enquanto sorri para as fotos, a presidente silencia diante dos presos políticos que fazem greve de fome contra o regime dos Castro. Enquanto os cidadãos que não compartilham com as utopias da esquerda esperam algo palpável e significativo, a presidente castra a esperança de uma mudança de posicionamento em relação aos crimes praticados pelo regime cubano. O silêncio como resposta é o que obtemos do governo brasileiro uma vez mais.

A presidente Dilma tem surpreendido a todos com as ações contra a corrupção implementadas energicamente em seu governo, mas deixou a desejar quando se escondeu dos microfones atrás dos monumentos de Chê e dos uniformes militares dos Castro. Ela fugiu do pragmatismo, correndo para abraçar a medicina preventiva do país. Ela correu dos brasileiros para entrar nas casas estatais do país.

É, presidente… Mas continuamos aqui: sabendo que a medicina de Cuba não vai além da prevenção, sendo sucateada quando as pessoas precisam de algo especializado quando já estão doentes; sabendo dos assassinatos empreendidos por Chê e Fidel Castro; sabendo que os cubanos anseiam pela propriedade privada.

Nós sabemos de tudo e a senhora, como Lula, pensa que não sabemos de nada.

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Nada mais brasileiro

Na Paraíba, não há verão completo sem festverão e BBB. Este último que completa os verões dos brasileiros, não só do perceptível estado que está sob as ordens do monarca Ricardo I. Junto com o BBB e dentro dele vem outro prodígio da nossa cultura: o poeta Pedro Bial. Chega a ser comovente e inspirador ouvir suas palavras entre as lágrimas dos emparedados e a amizade eterna dos outros participantes. Mas, nos concentremos no que vai além do apresentador, se existe algo que vá além do nada.

Estamos diante de um programa totalmente imprevisível, no qual os perfis dos participantes não se repetem a cada ano e suas ações são totalmente inéditas. Sempre há o galã, a gostosa, a amiga fiel, o parceiro bonzinho e o casal à moda crepúsculo. Sem falar, é claro, que todo ano há um homossexual. Este ano mais do que nunca.

Todos ficam amigos de início, pois é só após algumas semanas que os grupos formam-se e segregam-se, uns contra os outros e unidos em si. Um promete companheirismo inabalável ao outro, pois não está ali só para ganhar o prêmio e não irá fazer o possível para tal. Um exemplo de bondade e amizade para as crianças.

No programa ninguém gosta de barraco, só a Globo e os brasileiros. Todo mundo é da paz, mas a audiência atinge seus picos nos momentos de tensão. Todos os cristãos não julgam ninguém, só abrem exceção para os integrantes do BBB. Uma exceção temperada com adjetivos e dividida com a pessoa mais próxima.

Isso mostra o grau de cultura da sociedade brasileira e, como diz um padre paraibano, desperta o que há de mais desprezível no ser humano. Não é para relaxar, pois há outros meios minimamente dignos para isso e o programa faz parte da vida e das relações sociais de quem assiste. Se não é para relaxar, é por interesse, logo o brasileiro, como comprova os índices de audiência, se interessa por lixos culturais, dedicando seu tempo a algo que em nada acrescentará positivamente na sua vida, mas atrofiará subjetivamente o seu cérebro.

É, portanto, tornar essencial algo inutilmente desnecessário. É Brasil.