Li outro dia um artigo de Roberto Pompeu de Toledo, colunista de Veja, no qual ele criticava de maneira sutil e irônica o multipartidarismo do Brasil, expresso nos mais de 20 partidos existentes. Tal posição comunga, evidentemente, da ideologia e crítica na qual se firma as reportagens da revista sobre o assunto. Eu estendo a ironia de Toledo ao analisar as colocações da revista, e dele, como defensores da democracia e da liberdade. Ora, essa liberdade democrática não se estenderia à livre criação de partidos?
É evidente que, no Brasil, partidos políticos são criados com o único objetivo de atender a interresses eleitorais de coronéis e como forma de reunir posicionamentos convergentes em benefício da classe política organizadora. Outra verdade é que, principalmente após a era Lula, os partidos brasileiros não têm ideologia, sobretudo os de oposição. Oposição? É… Consideremos que ela exista de fato. Mas, e daí?
Eu não posso, mesmo com motivos convincentes, privar a liberdade do outro por julgar que este não a utiliza de maneira correta. A liberdade é uma chuva que cai sobre os bons e sobre os maus. Esse direito é concedido a todos e, por isso, todos podem utilizar da maneira que lhes é conveniente, desde que amparada nas leis estabelecidas que condicionam a utilização do direito. Logo, se eu defendo a liberdade, defendo-a no seu mais amplo sentido, ou cairia no erro de limitar minha defesa ao que acho melhor, aos meus interesses, a mim.
Como combater os maus políticos que fundam os pseudopartidos, então? Nós gozamos de uma ferramenta simples e poderosa para resolver esse e tantos outros problemas que assolam a democracia brasileira: o voto. Só devemos tomar o cuidado de pensar muito bem antes de usar essa faca de dois gumes.
Nenhum comentário:
Postar um comentário
Concordou ou não?