Peço licença aos forrozeiros para falar, não daquele nostálgico forró pé-de-serra, mas desse forrozinho alienador que arrebata os jovens aos goles delirantes. Não citarei nenhuma letra desse forró-pop, pois não posso baixar o nível com palavras de baixo calão. Também não posso desrespeitar as mulheres, estas que lutaram tanto pelos seus direitos em relação ao homem e podem, hoje, comemorar ao som do forró-estilo. Definições à parte, esse forró-teclado é música?
Não. Esse forró, se é que eu posso chamá-lo assim, não passa de grunhidos e espasmos acompanhados de uma letra que beira a pornografia escrachada e insanamente proferida pela multidão culta e cristã que assiste. Luís Gonzaga, onde você está? Dominguinhos, não te encontro.
Procurei as rainhas, mas me entregaram simples garotas. Procurei as robustas naves espaciais, mas só achei aviões aos pedaços.
Devo ser anormal por não escutar os arranjos magníficos desse forró. Conservador, por não me deixar levar pelas letras modernas e minunciosamente construídas. Retrógrado, por querer sanfonas, ao invés de guitarras; triângulos, ao invés de teclados; zabumbas, ao invés de baterias. Devo ser isso mesmo. Queira Deus que eu não seja culturalmente hostilizado, em minha arrogância nordestina, pelos intelectuais forrozeiros contemporâneos.
Dominguinhos? É você? Elba? Não. Tenho que perder as esperanças…
Quem sabe você um dia pare de rodar o copo na cabeça e, depois da ressaca, descubra o segredo que eu tenho cá guardado no peito. Um dia você descobrirá o que é musica…
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