segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Contrastes de olhar! - Miguel Segundo


E aquele olho
meio claro, meio escuro,
que na sombra do minuto
se perde sem pensar.
Delicadas malvadezas
que pelo reflexo
quase faz chorar,
a bubina rebubina
na canção de Capitu
com seu olho quase nu
refresca meu desejo de amar.

Hoje na sombra, no refúgio
a cabeça me faz pensar,
já não vale tantas mãos
e tantos pés
se a clara evidência
de seus passos
já não posso enxergar.

Pássaro,
que nessas horas voa longe
sente a presença de viver,
cantar e andar não vale mais nada
agora o que vale é voar
para os braços da figueira,
e que lá seja feliz
fincando suas garras num toco oco.
- O que restou do seu sonho?
- Nada não, foi em vão.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Concordou ou não?